COMPAIXÃO
O atributo do amor que contribui para a auto-estima é a compaixão. Uma das mais fortes barreiras à compaixão, é a intolerância ou a tendência a assumir papel de juiz. É muito importante lembrar que, toda vez que nos sentimos como juizes ou superiores a uma outra pessoa, estamos criando em nossa vida interior, condições que contribuem para a perda da auto-estima. Isto se deve a que sabemos, em nosso coração, que também nós temos aspectos difíceis em nossa personalidade e em nossa conduta, que nos tornam vulneráveis ao julgamento dos outros. Ironicamente, a intolerância é uma atitude que muitas vezes nos faz sentir fortes e poderosos com relação ao mundo que nos cerca. Mas isso é uma ilusão, pois a intolerância nos separa do Eu Interior, que é a verdadeira fonte de nossa força e capacidade de agir para o maior bem de nós mesmos e dos outros.
Ao meditar sobre a compaixão, pense numa situação ou num problema de sua vida, atualmente, que faz você se sentir zangado, ciumento ou frustrado. Se pudéssemos, muitas vezes simplesmente ignoraríamos o problema. Muito provavelmente, estamos ante o desafio de mudar nossa atitude para com a situação, de modo a agirmos construtivamente.
Ajuda começarmos sendo tão honestos quanto possível para com nós mesmos, quanto à verdadeira natureza e intensidade dos nossos sentimentos. Tenhamos em mente que emoções fortes como raiva, ciúme e frustração, interferem na capacidade de pensar com clareza. E se ignorarmos essas emoções ou tentarmos “nos colocar acima delas”, elas continuarão a interferir em nossa capacidade de pensar claramente. É melhor aceitarmos nossas emoções e trabalharmos para acalmá-las, do que as negarmos. Temos de começar com o desejo sincero de resolver a situação ou o problema.
Enquanto continua a meditar sobre a compaixão, imagine-se circundado pela clara e branca luz da compreensão espiritual. Tenha em mente que deseja mudar seus sentimentos e seu comportamento, e gradativamente se permita acreditar que a resolução é possível. Sinta suas emoções tornarem-se mais calmas, mais tranquilas, à medida que você sente em seu coração que o verdadeiro insight virá. E uma coisa muito importante é que abandone quaisquer pensamentos ou sentimentos de que está certo e o outro está errado. Tenha em mente que cada um de nós, à sua própria maneira, contribui para o maior significado e propósito da experiência humana.
Dependendo da força dos seus sentimentos de raiva, ciúme ou frustração, relativamente à situação, talvez você precise meditar durante alguns dias sobre simplesmente acreditar que a resolução é possível. Gradualmente, à medida que você vai se tornando mais tranqüilo e mais determinado a compreender, permita que o Eu Interior lhe mostre a verdadeira natureza da situação. O insight poderá vir através do impulso de ler certos trechos de um livro ou uma monografia, ou de se aconselhar com certa pessoa. Ou virá simplesmente um momento em que você saberá como agir para o maior bem de todo mundo envolvido. Escute esses impulsos do Eu Interior, sabendo sempre que na ocasião oportuna, se seu desejo for sincero, você encontrará o caminho.
A auto-estima não requer perfeição de nossa parte. Antes, requer um coração compreensivo e a sabedoria que adquirimos por experiência. Se esperamos perfeição de personalidades humanas, seja a nossa ou a de outrem, imediatamente criamos condições antipáticas ao crescimento espiritual, porque crescemos por reconhecermos e aceitarmos nossas limitações e nossas diferenças individuais.
De vez em quando, todos temos problemas de auto-estima. Isto faz parte naturalmente da vida, na medida em que corremos riscos, cometemos erros, aprendemos, amadurecemos, experimentamos, voltamo-nos para os outros, envolvendo-nos na miríade de experiências disponíveis para cada um de nós. Enquanto nos esforçamos para viver conforme nossos ideais espirituais, a aspiração precisa ser equilibrada pela aceitação de quem nós somos e do que podemos razoavelmente realizar.
Nutrimos a auto-estima em nosso âmago lentamente, um da por vez, uma passo de cada vez. Seja o que for que esteja acontecendo em nossas circunstâncias exteriores, se sabemos em nosso coração que estamos fazendo o melhor que podemos, isto é bastante. À medida que meditamos sobre perdão, confiança e compaixão, estamos basicamente curando nosso relacionamento com o Eu Interior. Quando nos comprometemos com a exploração de realidades interiores, aceitamos também responsabilidades mais profundas no mundo ao nosso redor. A aceitação dessas responsabilidades é o fundamento da verdadeira auto-estima.

